Tio Manoel: em algum lugar entre Uruaçu e Hidrolina, no Goiás

Esse foi o momento mais esperado pelo Rodrigo nos últimos 2 meses ou, mais precisamente, desde a aquisição da Pajero TR4. O destino? Casa do seu Manoel, sujeito simpático e muito querido que mostraremos mais embaixo.

Travessia de um dos inúmeros córregos localizados em uma das estradas de terra entre as cidades de Uruaçu e Hidrolina, no estado do Goiás. No período de chuvas, esses córregos ficam praticamente intransitáveis e, não à toa, estão sendo construídas pontes – para a tristeza do Rodrigo, que tem agora um carro 4 X 4.

Quem está no estribo lateral da Pajero TR4 é nada mais nada menos que o meu sogro, Ueltron! Como o nome é complicado, basta chamá-lo de Elto. Fazia mais ou menos uns dez anos que ele não viajava para aquelas bandas: a saudade era grande.

O motorista é o meu marido, Rodrigo! Alegria geral!

E para fechar a travessia: um beijo carinhoso do pai no filho.

Essa é a Dona Helena, carinhosamente apelidada pelos netos Rodrigo e Pedro de vó gorda. Simpática, não?

Na fazendinha do seu Manoel, tem muita coisa. Entre elas, uma represa para criação de caranhas.

Não arriscaria colocar a mão na boca de um deste!

Esse aí é o Elto, um perfeito “marido de aluguel”. Difícil não vê-lo trabalhando nalguma coisa: instalou filtro de água, varal, ajudou na montagem das barracas, endireitou o forno, ajeitou o chuveiro…  nossa, cansei!

Dona Helena de frente ao chiqueiro e à horta.

Essa é uma das lindas e privilegiadas vistas da casa do seu Manoel.

Ao fundo, uma casinha que sinceramente não sei para que é… Mais ao fundo, dá para avistar parte da cerca do curral. Mas, afinal, quem é seu Manoel?

Esse é o seu Manoel: cabra bom!

E esse é o cachorro Mosquito. De tão pequeno que era quando filhote, dois nomes ocorreram à mente do seu Manoel: Mosquito ou Pequeno. O povo preferiu o primeiro e assim ficou.

Pescaria em família. Da esquerda para a direita: Pedro, seu Manoel, Rodrigo, Dona Helena, Elto e Mosquito.

Caiu na rede é peixe. Nessa temporada no seu Manoel, pescamos a soma exata de 40 peixes. À esquerda, o filho do seu Manoel, Rildo. Do fruto do seu trabalho, comerás.

Seu Manoel e Rodrigo: só pensando no peixe frito que comeriam dali a pouco.

Dona Helena: mesmo beirando a casa dos 70 anos, ainda bota para quebrar e ajuda limpando o peixe.

Dona Chiquinha é a esposa do seu Manoel. Queijeira de mão cheia, essa mulher é incansável: sempre “trabaiando” nos afazeres domésticos.

Seu Manoel e Mosquito, seu fiel escudeiro. Se seu Manoel vai para Uruaçu, é preciso prender Mosquito senão este se perde no caminho à espera do seu Manoel.

Rodrigo ajeitando o terreno sobre o qual seria montada nossa barraca. Sim, dormimos em barraca eu, Rodrigo, Pedro, Elto e Claudinho. Eu e o Rodrigo em uma mesma barraca e os demais em uma barraca individual. Esqueci de tirar fotos das barracas montadas!

Essa é a casinha do seu Manoel. O terreno é uma das 23 parcelas em que foi dividido um assentamento fruto de reforma agrária.

Botas do seu Manoel. De nós, ele ganhou novas botinas pretas do “Patão” escolhidas a dedo em Hidrolina, para onde viajamos especialmente para isso. O seu Manoel se preparou como se fosse a uma festa, ajeitou cabelo e pôs roupa. Chegando lá, entendemos o motivo: ele conhecia muitas compadres e comadres por lá.

Subindo e descendo de jipe, podíamos contemplar a paisagem característica da região.

Rodrigo comprou um chapelão ao estilo sombreiro a duras penas em Hidrolina: difícil encontrar um que coubesse em sua cabeça!

Seu Manoel gosta de prosear, contar causos, rir de piadas e conhece a região como a palma da sua mão. Em qualquer lugar que cair por lá, ele sabe se localizar. A piada da hora: O Tatá tá? Tatá tá não. Mas a mulher do Tatá tá é a mesma coisa do Tatá tá.

Elto viaja sempre a caráter: coturno, chapéu, canivete e, de vez em quando, até um cajado são itens obrigatórios.

Rodrigo e sua tia-avó, Dona Zezé. Da roça para o mundo!

Claudinho (filho da Dona Zezé) e Rodrigo aproveitando para colocar a prosa em dia.

A essa altura, minhas pernas ainda não haviam sido picadas por borrachudos. Mais tarde foram e como foram!

Uma bela árvore de galhos retorcidos.

Casa duplex do joão-de-barro. Essa ave é também conhecida como forneiro, por construir seu ninho em forma de forno, misturando palha e esterco seco com barro úmido (material farto na roça). O joão-de-barro não utiliza o mesmo ninho por duas estações seguidas, parecendo realizar um rodízio entre dois a três ninhos, reparando ninhos velhos semi-destruídos. Quando não há mais espaço para a construção de novos ninhos, o pássaro o constrói em cima ou ao lado do velho, caso da foto acima. Acho bem difícil não ter havido espaço para novos ninhos: talvez o lugar tenha sido tão aprazível, que a ave resolveu fazer sua morada no mesmo local.

Vizinha do seu Manoel, Neuza, é uma mulher de pulso firme. Após a morte de seu marido, o (ben) Dito, ela conduz a fazenda.

Boi com cupim e sem chifres (provavelmente queimados).

Dona Zezé: pense numa mulher com energia sobrando.

Fomos até a casa da Neuza buscar leite para fazer doce de leite e requeijão.

Derretendo a rapadura para fazer pé-de-moleque. E murchando a barriga para ficar bem na foto.

A mãe do Rodrigo, Cled, lavando a interminável louça, trabalho que eu também ajudei a fazer. Segundo causo de Dona Chiquinha, pinga para o homem jamais faltará e trabalho para a mulher sempre haverá.

Rodrigo abraçando sua amada vó Gorda.

Primos Claudinho e Cled. Dona Zezé ao fundo. Alegria em família, até mesmo na cozinha.

Tentando esconder a papada.

Pão de queijo da Dona Helena: uma pedida perfeita na roça. Estava uma delícia! Outras guloseimas que lá foram feitas: doce de leite, requeijão, queijo, pé-de-moleque, mané pelado (bolo feito de mandioca).

Ficamos na dúvida se Dona Chiquinha gosta de mané pelado ou Manoel pelado.

Marcas do tempo.

Tacho onde o doce de leite foi feito. Comida não falta.

Fazer doce de leite é trabalhoso. Para auxiliar na tarefa, Dona Zezé escalou todos aqueles que gostam do doce para ajudar a mexer a mistura.

Meu lindo Rodrigo. Se não fosse por ele, não me aprazaria com as coisas da roça e não teria a honra de conhecer seu Manoel.

Neuza colocando mais leite para o doce de leite. Foi preciso 40 litros no total.

Dona Zezé é conhecida por gostar de mandar. Até em Hidrolina conseguiu nos achar para mandar comprar carvão que no churrasco não poderia faltar. O susto foi tanto por a mulher lá nos achar, que o carvão até nos esquecemos de comprar.

Dona Helena disse que o Rodrigo é marruco: tipo de touro que por ser quase sempre muito bravo dá nome a pessoas agressivas. Mas o Rodrigo passe longe disso. Na verdade, ele é agradável companhia para todas as horas.

Posso voltar para casa não sabendo como fazer doce de leite, mas o só contato com a simplicidade da roça nos faz repensar as prioridades e refletir se realmente estamos nos preocupando com as coisas certas.

Casal seu Manoel e dona Chiquinha: companheirismo durante toda uma vida.

O canto de ave que seu Manoel mais aprecia é do Jaó.

No amor, somos aperfeiçoados.

Marisa, esposa do tio do Rodrigo, marcou presença lá. Sem graça que estava, prometeu, na próxima viagem, melhorar. Vamos aguardar!

Claudinho pescou o maior peixe de todos. A estratégia dele para pegar peixe é botar fechado: fechar uma área da represa com a rede de pesca. Depois a expressão virou bordão: bota fechado aqui e acolá. Claudinho, responsável pelo churrasco, marcou presença e fez diferença, colocando um sorriso no rosto de quem esteve ao seu redor.

Com um tiro de carabina a pressão na fronte, o Rodrigo pôs fim ao porco. E dá-lhe trabalho para prepará-lo.

Para terminar, Rodrigo provando do chimarrão. Montado com erva-mate a partir de uma infusão com água quente, tem  gosto que mistura doce e amargo, dependendo da qualidade da erva-mate. Um aparato fundamental para o chimarrão é a cuia, como a mostrada na foto. O hábito de beber a mistura é fortemente arraigado no sul do Brasil.

Fotos: Adriana Diniz

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