Raça humana, um documentário sobre o Sistema de Cotas na UnB

O Rodrigo descobriu por acaso esse documentário ao cair na TV UnB. Um programa de ótima qualidade apresenta como o Sistema de Cotas foi introduzido na UnB e traz os pontos-de-vista daqueles que são a favor e contra essa política afirmativa.

Eu, hoje, sou a favor do Sistema de Cotas para negros, implantado na UnB em 2004. Acredito que um dos caminhos para oportunizar chances aos negros é garantir reserva de vagas a eles nas Universidades Públicas ainda que implique em relativizar o critério meritocrático da Universidade, que pura e simplesmente afere a competência.

São oportunizadas chances de ingresso na Universidade em que iguais concorrem com iguais, mas não iguais no mérito (eu sei que para alguns é difícil aceitar), mas iguais na cor da pele. Isso é isonomia: tratar os iguais de forma igual e os desiguais na medida de sua desigualdade. Uma vez dentro da Universidade, todos são avaliados exatamente da mesma forma e cabe a cada um dar o seu melhor.

Acredito que não existem raças, cientificamente falando. Mas histórica e socialmente falando existem sim. Mesmo que a existência de raças seja um grande engodo, a sociedade vive, infelizmente, como se houvesse diferentes raças. Os negros sofrem preconceito histórico no Brasil, ainda que nunca tenha havido uma legislação nacional segregacionista. Só o cego não vê (ou não quer ver).

Mediocridade para mim é achar justo concorrer um não negro com um negro para entrar na Universidade. O não negro não sabe o que é sentir o preconceito na pele. Sistema de Cotas é dar chance para os negros serem inseridos na sociedade de forma mais efetiva através de uma educação de qualidade.

O fato é que, em 2004, a UnB era uma universidade não negra. E hoje ela está mais negra. O negro está tendo mais chance, o negro está sendo inserido no mercado de trabalho.

Se o Sistema de Cotas reforça a discriminação? Não. A discriminação já existe, com ou sem Sistema de Cotas. Ela concede benefícios a uma classe historicamente prejudicada e teve a ousadia de fazer isso reservando um percentual de vagas (20% na UnB) para ingresso na Universidade.

Eu entrei na UnB no segundo semestre de 2004 pelo Sistema Tradicional. A nota mais alta para o curso que escolhi – Comunicação Social – foi de um estudante que entrou na UnB pelo Sistema de Cotas.

A seguir, um documentário produzido pela TV Câmara, duração total de 42 minutos. “Raça Humana” foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.

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